Quase ninguém começa o TCC do zero. Você tem artigos salvos de uma disciplina, uma pasta de PDFs que o orientador mandou na primeira reunião, talvez uma biblioteca no Zotero ou no Mendeley. Esse material é valioso: foi escolhido por você ou por alguém que conhece a área. A pergunta é como juntar isso com o que a equipe de agentes encontra, sem perder o controle do que é confiável.
No kit do TCC Verificado, as suas referências entram no mesmo índice das referências que o Cita busca, com a mesma exigência: existir de verdade e estar com os dados certos.
Por que conferir o que você mesmo trouxe
Parece exagero conferir um artigo que você tem em PDF. Mas os erros mais comuns nas referências de um TCC não são obras inventadas. São dados errados de obras reais:
- o ano da versão publicada é diferente do ano do preprint que você baixou;
- o nome de um autor foi exportado com erro de digitação;
- o título salvo é o do arquivo, não o do artigo;
- o DOI copiado de um site aponta para outra publicação.
E há o caso do link que alguém mandou e ninguém abriu. É assim que uma citação inventada por uma IA genérica pode chegar até você sem que você a tenha pedido.
Como funciona
1. Coloque tudo numa pasta. O projeto tem uma pasta reservada para as suas referências
(tcc-kit/referencias/minhas/). Ela aceita três formatos, e você pode misturar:
- os PDFs dos artigos;
- um arquivo .bib exportado do Zotero ou do Mendeley;
- um lista.txt com uma referência por linha: um DOI, um link ou a referência escrita.
Essa pasta é sua. A equipe lê, mas nunca apaga nem altera nada lá dentro.
2. Peça ao Cita para adicionar. Algo como:
adiciona minhas referências
Ele lê cada item: o começo de cada PDF (título, autores, ano, DOI), cada entrada do .bib e cada linha da lista. O que já está no índice é pulado.
3. Cada item é conferido em bases reais. Com DOI, a consulta vai direto ao registro oficial. Sem DOI, ele procura pelo título e pelo primeiro autor e só aceita um resultado praticamente igual. Cada item recebe uma de três classificações:
- verificado: a base confirma a obra e os seus dados batem;
- divergente: a obra existe, mas algum dado seu está diferente do registro;
- não encontrado: nenhuma base confirmou.
4. Você decide o que entra. Antes de mexer em qualquer arquivo, o Cita mostra uma tabela com o resultado e para. Nos divergentes, o seu dado e o da base aparecem lado a lado, e você escolhe qual vale. Nada entra no índice sem a sua aprovação.
5. O que você aprovou vai para o projeto. As referências verificadas entram no arquivo de referências do LaTeX. Se o item veio do seu .bib, a chave que você já usa é mantida sempre que possível, para não quebrar citações que você já escreveu. Se alguma chave precisar mudar, ele avisa.
“Não encontrado” não quer dizer “falso”
Um livro antigo, um documento de uma instituição ou uma norma técnica podem não estar nas bases consultadas. Por isso o Cita nunca declara uma obra falsa só porque não a encontrou. Se você tem a fonte em mãos, pode aprovar o item como pendente.
Pendente tem consequência, e é de propósito: a referência fica fora do arquivo final, e a revisão de citações continua avisando se o texto citar essa obra. Nenhuma etapa automática transforma uma pendente em verificada. Só uma nova conferência, com dados que a base confirme, muda isso. Assim, uma obra que ninguém confirmou nunca passa em silêncio até a banca.
A parte que é sua
Confirmar que um artigo existe não é o mesmo que confirmar que ele diz o que o seu texto vai afirmar. O Cita garante a primeira coisa. A segunda é leitura, e é sua. Antes de usar um artigo para sustentar um argumento importante, leia pelo menos o resumo e o trecho que interessa, e pergunte a si mesmo se ele fala do mesmo fenômeno e se a conclusão dele vai na direção da sua frase.
O texto Por que a IA inventa referências explica essa divisão com mais calma.
No curso
No TCC Verificado, a Aula 2.4 mostra os dois caminhos juntos: a busca feita pela equipe e as referências que você traz.


